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O emprego requintado da madeira nos projetos de arquitetura

Com diferentes estilos e cores, o material cria atmosferas e sensações como aconchego, leveza e austeridade, sempre a depender do estilo e perfil do morador

Poucos materiais utilizados na arquitetura de interiores despertam apreço emocional, sofisticação, versatilidade e a capacidade de dialogar tão perfeitamente com a linguagem do projeto. Desde sempre, a madeira carrega essas capacidades em função das suas inúmeras possibilidades de utilização, resistência e a imagética representada pelos desenhos que retratam suas interfaces únicas, o elo com a natureza e a maneira como se conecta com o ser humano.

Para a arquiteta Patricia Penna, a melhor madeira para o projeto é aquela que melhor se alinha com as demandas do projeto. Em se tratando da matéria-prima natural, ela explica que a definição leva em conta a sua robustez; a estabilidade dimensional que atesta a integridade de manter suas dimensões originais diante das alterações de temperatura e umidade; a usinabilidade, que se refere à maneira como responde durante o corte, perfurações e outras atividades que relacionam com a construção de sua forma e o design; disponibilidade e, por fim, a procedência.

“Destaco, especialmente, os últimos dois pontos, pois se relacionam com a responsabilidade do profissional com o meio ambiente” enfatiza.

 

Madeiras de alto padrão

Entre as mais adotadas para a concepção de mobiliários, a profissional relaciona o mogno por seu tom quente e a facilidade para a obtenção de acabamentos primorosos; o cedro, devido à variação que transita entre o rosado, castanho-claro e avermelhado e o carvalho com suas nuances mais claras e que abrangem desde o bege, palha, tons dourados, mel e castanhos.

Da Artefacto, para a sala de jantar com vista para a área externa a arquiteta Patricia Penna elegeu uma suntuosa mesa de louro | FOTO: João Paulo Soares de Oliveira

Ela também enumera algumas das espécies de alta performance para pisos como o cumaru, com suas matizes de castanho-amarelo e o avermelhado, e os tons quentes e castanhos da itaúna. “As duas são belíssimas tanto nas superfícies internas, como na execução de decks”, indica Patricia.

Na área social deste apartamento, a arquiteta Patricia Penna escolheu a sobriedade elegante da “Cumaru” para o piso. Seu aspecto mais quente contrasta com o mobiliário claro escolhido para compor o living, varanda e sala de jantar | Fotos Leandro Moraes

Historicamente, o mogno e o carvalho, tanto o americano quanto o francês, estão ligados à tradição do mobiliário clássico com desenhos extremamente refinados. Entretanto, ela ressalta que essa premissa não está diretamente relacionada diretamente às duas madeiras citadas. “É perfeitamente possível alcançarmos um resultado semelhante, desde que as especificidades de outros tipos sejam respeitados”, discorre a arquiteta.

Lâminas 

Neste outro living, o amplo painel de mdf melamínico especificado pela arquiteta Patricia Penna estendeu-se pelo ambiente como uma linha contínua que acolhe, unifica a área social, organiza a circulação e abre-se sutilmente, ao fundo, para revelar a cozinha | FOTO: João Paulo Soares de Oliveira

Patricia ressalta que as lâminas naturais ou revestimentos decorativos que reproduzem as espécies, aumentam a potencialidade da madeira nos projetos de interiores.

“Nesta seara, eu diria que o céu é o limite”, opina mencionando a capacidade de incorporar nos ambientes, inclusive, tipologias exóticas como o pau-ferro, ébano de macassar, Tanganica e Rádica.

Na sala desta cobertura assinada pela arquiteta Patricia Penna, o clima de praia é percebido sem obviedade. O carvalho americano foi eleito para facear toda a parede que abrange a porta de entrada mimetizada, o rack suspenso que acompanha a TV, além de outros detalhes presentes no projeto | FOTOS: João Paulo Soares de Oliveira

Tonalidades

Atributos como a leveza visual, tátil e o acompanhamento sensorial conduzem a escolha pelas madeiras mais claras nos projetos de interiores, em uma referência direta ao estilo nórdico do décor.

A madeira clara eleita pela arquiteta Patricia Penna para o revestimento das paredes e a marcenaria da cama se destaca sobre a base cinza deste dormitório | Fotos: Leandro Moraes

Sob a perspectiva da elegância despretensiosa, a arquiteta Patricia Penna compartilha: “Particularmente, gosto de apreciar a sutileza dos tons em dormitórios, salas de almoço, cozinhas e brinquedotecas, entre outras possibilidades” | Fotos: Leandro Moraes

A arquiteta relaciona que a aparência de espécies já citadas, como o freijó e o carvalho americano, podem compor absolutamente todos os ambientes residenciais, desde que alinhados com o estilo e o objetivo almejado para o projeto.

Neste amplo living contemporâneo assinado pela arquiteta Patricia Penna, o freijó é o grande protagonista ao compor paredes e teto. Os tons neutros do mobiliário não deixam que a atenção da madeira seja ‘roubada’ | Foto: Leandro Moraes

Por outro lado, Patricia relata que, desde sempre, as madeiras escuras foram associadas ao clássico tanto da arquitetura europeia, como do período colonial brasileiro. Mas isso não quer dizer que a referência perdeu espaço: a coloração mais profunda foi reinserida nos projetos contemporâneos para designar, além da sobriedade, contrastes com outros materiais, volumes e formas.

Trabalhando o tom sobre tom, tanto no revestimento das paredes quanto no mobiliário que engloba estante, mesa de trabalho e poltrona –, esse escritório residencial idealizado pela arquiteta Patricia Penna transmite a seriedade necessária através da madeira | FOTO: Marco Tiê  

“O conselho é trabalhar o equilíbrio para que a austeridade da sua presença não se torne um conflito”, opina, acrescentando que a cor costuma ser bem recebida em escritórios, salas de TV e jantar.

Contudo, a profissional salienta: “não há escolha errada quando sobre a cor, uma vez que o gosto pessoal, as especificidades de cada projeto e a composição com os demais materiais também atuam como agentes para a harmonia do ambiente.” Essa possibilidade reafirma o caráter polivalente do material, que une aconchego e funcionalidade.

“A madeira, além de solução estética, ainda auxilia no conforto acústico na hora da experiência cinematográfica”, revela a arquiteta Penna sobre o material em salas de TV | Fotos: Leandro Moraes

Cuidados

Por fim, a profissional adverte que a madeira natural pode sofrer alterações de cores em decorrência da insolação direta ou indireta. Nas opções mais claras, pode ocorrer um efeito ‘caramelado’ ou até mais escuro e a prerrogativa também vale para as versões escuras, que podem oxidar ou desbotar ao longo do tempo. “É essencial tratar e proteger a superfície por meio da aplicação de acabamentos ou vernize”, orienta.

Texto:  dc33 Comunicação 

Fotos: Leandro Moraes

 

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