Entre mar, floresta e memórias afetivas, a Casa Corcovado surge como uma interpretação contemporânea da chamada bossa carioca. O projeto, assinado pela arquiteta Paula Martins — representante do estado do Rio de Janeiro na primeira Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) — foi um dos selecionados em concurso que elegeu 27 projetos de residências com cerca de 100 m², cada um representando um estado brasileiro no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), e integra o pavilhão dedicado ao bioma Mata Atlântica. Na proposta, a arquiteta transporta para um apartamento em São Paulo a atmosfera leve, sofisticada e informal que define o estilo de vida carioca.
A mostra acontece de 24 de março a 30 de abril, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e apresenta ambientes organizados em pavilhões inspirados nos diferentes biomas brasileiros. O projeto de Paula Martins integra o espaço dedicado à Mata Atlântica, estabelecendo uma conexão direta com a paisagem natural que caracteriza grande parte do território fluminense.
Concebido como uma homenagem a Laís e Vinícius, cariocas que hoje vivem fora da cidade natal, o ambiente parte da ideia de que a arquitetura pode aproximar pessoas e lugares por meio da memória e da sensibilidade espacial. Mais do que um espaço de contemplação, a Casa Corcovado foi pensada como cenário para a vida cotidiana — um lugar onde receber amigos, cozinhar, desacelerar e descansar acontecem de forma integrada. “O Rio tem uma maneira muito própria de ocupar a casa e de viver os espaços. A proposta foi traduzir essa leveza e essa relação com o encontro para um apartamento em São Paulo, criando um ambiente que evocasse pertencimento e memória”, explica Paula Martins.
O partido arquitetônico se organiza a partir de dois eixos simbólicos. Na área social, tons de verde e azul se combinam a materiais naturais para estabelecer uma conexão direta com a paisagem carioca, evocando a proximidade entre floresta e mar. “Na Casa Corcovado, a área social é marcada pela presença simbólica da floresta e do mar, com predominância dessas tonalidades que remetem à paisagem do Rio”, afirma a arquiteta. A integração visual entre os ambientes e a circulação fluida reforçam a ideia de casa como lugar de convivência e de encontros descontraídos.
Já na área íntima, tonalidades mais quentes assumem protagonismo, criando uma atmosfera acolhedora e de descanso. A transição cromática acompanha a mudança de uso dos espaços, definindo com delicadeza a passagem entre áreas de convívio e momentos de recolhimento.
A curadoria de arte e objetos, assinada por Belchior Almeida, também desempenha papel central no projeto. Uma grande estante organiza parte desse repertório e funciona como um abrigo de histórias, memórias e coleções de objetos que reverenciam fé, contraste e beleza. Peças de diferentes épocas, materiais e estilos convivem de maneira intencional, refletindo a ideia de que identidade é uma construção contínua. A arte aparece como um dos pilares do espaço, presente em diferentes linguagens — da produção popular à contemporânea — compondo, por meio da curadoria das obras, uma narrativa diversa e afetiva. “A curadoria organiza contrastes e aproxima linguagens para construir uma leitura do Rio que se revela no espaço”, comenta o curador.
Estampas e texturas também se espalham pelo ambiente no mobiliário, tapetes, papéis de parede, almofadas e revestimentos, trazendo movimento e vitalidade à composição.
Para Paula Martins, participar da primeira edição da Bienal de Arquitetura da BAB também representa um marco em sua trajetória profissional. “Fazer parte da primeira Bienal da BAB representando o Rio de Janeiro é uma experiência muito especial. É uma oportunidade de compartilhar narrativas da nossa arquitetura e mostrar como o design pode traduzir cultura, identidade e modos de viver”, afirma.
Mais do que um exercício estético, a Casa Corcovado se apresenta como um projeto que utiliza a arquitetura como ferramenta de pertencimento e continuidade. Uma casa pensada para encurtar distâncias — físicas e emocionais — e lembrar, em cada detalhe, de onde se vem e de quem se é.
SOBRE PAULA MARTINS
Ao longo de 15 anos de carreira, Paula Martins, arquiteta urbanista e empresária, consolidou-se como uma profissional que alia sensibilidade, criatividade e liderança. Especialista em Gestão do Restauro, Master em Projetos Comerciais e graduada em Design Gráfico, ela divide seu tempo entre a gestão e a criação do escritório Paula Martins Arquitetura e a função de CEO da empresa Ateliê Aqui.
Desde a infância, Paula já demonstrava interesse pela arquitetura. Tudo o que envolve criatividade, arte e beleza sempre a instigou profundamente. Embora, no momento do vestibular, tenha considerado seguir pelo Design, chegando a iniciar a graduação em Design Gráfico, logo percebeu que sua verdadeira vocação estava na arquitetura — o que a levou, inclusive, a cursar ambas as formações simultaneamente.
Fotos: Rafael Renzo
Txto: BAT Comunicação
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