Ambiente de 74m² parte de um piano de 1951, pertencente à avó da arquiteta, para construir uma narrativa sobre silêncio, afeto e pertencimento
Domingo, 16h. As primeiras notas ao piano marcavam um ritual familiar para Rafaella Manso. A mãe acompanhava os movimentos das pequenas mãos no teclado, enquanto a presença da avó e o som do violino do avô completavam a cena. Essa lembrança íntima, ligada à música e à origem, orienta “Notas em Linhas”, ambiente de 74m² assinado pela Rafaella Manso Arquitetura para a CASACOR São Paulo 2026.
O projeto ocupa lounge e circulação vertical, mas se afasta da lógica de um espaço convencional. A proposta é construir um percurso imersivo em que silêncio, luz natural e memória conduzem o visitante a uma experiência de pausa. Em um mundo marcado pelo excesso de estímulos, Rafaella concebe o ambiente como um “deserto intencional”, expressão que sintetiza a busca por respiro, contenção e escuta interna.
“Notas em Linhas nasce de uma memória muito pessoal, mas fala de algo que reconheço como coletivo: a necessidade de voltar para aquilo que nos sustenta. O piano da minha avó deixou de ser um objeto e passou a ser um portal de afeto, uma forma de transformar história em arquitetura”, afirma Rafaella Manso.
O tema “Mente e Coração” aparece no projeto a partir de uma dualidade complementar. A mente se manifesta na atmosfera de desaceleração, construída por tons neutros, superfícies suaves e iluminação difusa. O coração surge como ruptura e presença, materializado em um tablado de mármore vermelho que concentra a intensidade visual do ambiente. Sobre ele repousa o piano de 1951, presente recebido pela avó da arquiteta aos 12 anos.
A cor vermelha introduz pulso em meio à base silenciosa do projeto. Em contraste com a paleta de tonalidades terrosas e desérticas, o mármore marca o ponto vital do espaço. O piano, por sua vez, deixa de ser entendido pela função e assume o papel de memória viva, uma âncora afetiva que sustenta toda a narrativa.
A área de lounge, com aproximadamente 30 m², foi pensada como lugar de permanência e contemplação. Já a escada, com cerca de 44 m², ultrapassa sua função prática e se transforma em eixo narrativo. Ao subir, o visitante é naturalmente conduzido a reduzir o ritmo, observar o vitral e perceber a incidência da luz ao longo do percurso.
“O projeto parte desse equilíbrio entre contenção e emoção. Quis criar um espaço em que a arquitetura ajudasse o visitante a desacelerar, mas que revelasse, em determinado ponto, uma força emocional inevitável. A mente silencia, o coração desperta, e as linhas conduzem esse encontro”, explica a arquiteta.
As linhas são o elemento condutor do projeto. Inspiradas na ideia de partitura, elas aparecem no desenho do tapete, no tablado de mármore e no móbile suspenso no vão da escada. Essa presença cria ritmo e continuidade, guiando o olhar sem transformar o espaço em uma narrativa literal sobre música.
O vitral surge como um dos elementos centrais da experiência. Seu desenho geométrico parte da sequência de Fibonacci e da proporção áurea, princípios associados à estrutura musical. A partir dessa relação, luz, forma e ritmo passam a compor uma leitura sensorial do espaço, especialmente no percurso da escada.
A intervenção também nasce do respeito ao bem tombado. O piso em granilite foi preservado, assim como as molduras de gesso originais, que orientaram o desenho do novo forro. Em vez de sobrepor uma nova linguagem ao espaço existente, Rafaella propõe uma continuidade contemporânea, revelando a arquitetura original e ampliando sua presença.
O trabalho artesanal reforça a densidade do projeto. Tapeçaria, vitral, macramê, forro e molduras em gesso aparecem como elementos que carregam tempo, cuidado e permanência. No ambiente, o fazer manual entra como parte da narrativa, ligado à memória e à ideia de origem que atravessa toda a proposta.
A sustentabilidade é trabalhada de forma técnica e integrada, desde a escolha de materiais com menor impacto ambiental até a avaliação da cadeia produtiva do ambiente. A especificação prioriza fornecedores com processos responsáveis, materiais de origem controlada, linhas recicláveis e soluções ligadas à durabilidade.
O projeto conta ainda com consultoria técnica da Sustentech para a Avaliação do Ciclo de Vida, metodologia que mensura impactos ambientais desde a origem dos materiais até sua aplicação no espaço. A partir dessa análise, foi prevista a compensação das emissões geradas, com objetivo de alcançar a certificação de Carbono Neutro.
No projeto, sustentabilidade, memória e experiência se encontram em uma arquitetura que desperta emoção. Entre o respiro proposto pelo ambiente e a força afetiva do piano, Rafaella Manso constrói um espaço em que a casa deixa de ser cenário e volta a ser lugar de pertencimento.
Texto: DaTa Studio de Comunicação
Imagem: divulgação
———————————————————————————-
Somos o Grupo Multimídia, editora e agência de publicidade especializada em conteúdos da cadeia produtiva da madeira e móveis, desde 1998. Informações, artigos e conteúdos de empresas e entidades não exprimem nossa opinião. Envie informações, fotos, vídeos, novidades, lançamentos, denúncias e reclamações para nossa equipe através do e-mail redacao@grupomultimidia.com.br. Se preferir, entre em contato pelo whats app (11) 9 9511.5824 ou (41) 3235.5015.
Conheça nossos portais, revistas e eventos!
madeiratotal.com.br
revistavarejobrasil.com.br
megamoveleiros.com.br
revistause.com.br
www.hotex.com.br


