Em Goiânia, Ana Kília, à frente da Abaru, transforma os interiores de uma casa de 316 m² em um espaço contemporâneo, acolhedor e profundamente conectado à rotina de seus moradores
A Casa Tempo nasceu de uma oportunidade inesperada: a possibilidade de transformar uma residência ainda em construção em uma casa verdadeiramente particular. Localizada no setor Nova Suíça, em Goiânia, a casa de 316 m² foi adquirida por um casal de 60 anos, que encontrou no imóvel a oportunidade de construir, finalmente, um espaço que refletisse seu momento de vida, seus hábitos e a maneira como desejavam receber a família e os amigos.
O projeto de arquitetura é assinado por André Luiz Nogueira. Já os interiores, a personalização da residência e a curadoria de mobiliário são de Ana Kília, arquiteta e fundadora da Abaru, estúdio de arquitetura, interiores e curadoria..
Como a casa ainda estava nos estágios iniciais da construção quando foi adquirida, a Abaru pôde participar ativamente das decisões que definiram a personalidade dos ambientes. O trabalho envolveu a redefinição do layout interno, escolha de acabamentos, desenho de bancadas, projeto luminotécnico, área gourmet, marcenaria, seleção de mobiliário e curadoria dos objetos. “O nosso trabalho foi olhar para uma arquitetura que já estava em andamento e transformá-la em uma casa que tivesse a identidade dos moradores. A intenção era criar interiores acolhedores, atemporais e, principalmente, que fizessem sentido para a rotina deles. Uma casa para viver com calma e para estar junto.”
— Ana Kília, arquiteta e fundadora da Abaru
Interiores que acompanham a rotina
O layout original entregue pela empreiteira foi reorganizado para responder às necessidades do casal. Na área social, estar, jantar e cozinha formam um ambiente amplo e integrado, pensado para favorecer a convivência.
Um painel ripado de madeira natural cumaru marca a entrada da casa e, ao mesmo tempo, esconde uma sala de TV mais reservada, acompanhada por banheiro. A solução cria uma transição sutil entre os ambientes sociais e o espaço de maior intimidade.
No quintal, a piscina, os espaços de convivência e a área gourmet se conectam. O anexo, que ainda não havia sido construído quando os moradores adquiriram o imóvel, também foi desenvolvido dentro do escopo de personalização do projeto.
O paisagismo foi desenvolvido por Júlia Zveiter, integrante da equipe multidisciplinar da Abaru, reforçando a relação entre os interiores e as áreas externas.
Materialidade contemporânea
Nos interiores, a escolha dos materiais partiu do desejo de criar uma base neutra, elegante e acolhedora. O mesmo porcelanato Decortiles 90 x 90 cm acetinado, da Eliane, foi utilizado em toda a casa, garantindo continuidade entre os ambientes.
Na cozinha integrada, as bancadas e o rodamão alto foram executados em mármore dolomítico Biancatto com acabamento escovado. Na área gourmet, o granito Preto São Gabriel, também escovado, traz resistência e uma tonalidade mais profunda ao espaço.
A marcenaria combina MDF Cumaru Raiz, da Duratex, e Beige Matt. Na entrada, o painel ripado em madeira natural cumaru acrescenta textura e calor ao ambiente, enquanto o painel da TV, em travertino, reforça a presença das pedras naturais no projeto.
O resultado é um interior contemporâneo que evita excessos e aposta na combinação de madeira, pedra, tons neutros e peças de design.
Uma casa construída também por objetos
A curadoria ganhou um papel especial no projeto. Durante o processo, a própria moradora descobriu-se uma colecionadora de peças de design e passou a selecionar objetos que hoje fazem parte da identidade da casa.
No living, o Espelho Chuva, de Leo Romano, divide a atenção com a Poltrona Mole, de Sérgio Rodrigues, pertencente ao acervo da cliente. Os pendentes da sala de jantar e da cozinha integrada são assinados por Waldir Júnior.
A presença desses objetos faz com que os interiores não pareçam uma composição pronta, mas uma casa construída ao longo do tempo — com peças escolhidas por quem realmente vive ali. “A curadoria dos objetos acabou acontecendo de uma maneira muito orgânica. A cliente foi descobrindo o design durante o processo e começou a construir seu próprio acervo. Para mim, isso é muito especial, porque o projeto deixa de ser apenas aquilo que o escritório propõe e passa a incorporar também as descobertas e escolhas de quem mora na casa.” — Ana Kília, arquiteta e fundadora da Abaru
Detalhes pensados para o cotidiano
A personalidade dos moradores aparece também em pequenas soluções. Na escada, foram criadas portas de vidro que permitem restringir a circulação dos cachorros quando necessário, seja durante a limpeza ou em momentos em que recebem visitantes que têm medo de animais.
Na entrada, os moradores também optaram pela instalação de um elevador, pensado para ser utilizado em situações de emergência. É um recurso discreto que considera não apenas o presente, mas também o futuro da família.
Com três meses dedicados ao desenvolvimento dos interiores e da personalização e sete meses de obra até a conclusão, a Casa Tempo traduz a ideia que está no próprio nome: uma residência pensada para acolher o tempo, os encontros e uma nova etapa da vida.
Mais do que criar ambientes, o projeto de interiores buscou construir uma atmosfera capaz de acompanhar a rotina dos moradores e receber aquilo que eles mais valorizam — filhos, netos, amigos, cachorros e, principalmente, tempo para estar juntos.
Texto: Thamiris de Souza – Bat Comunicação
Imagem: divulgação
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