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Madeira e biofilia: quando a estrutura também se preocupa com as pessoas

 

 

Discussões sobre sustentabilidade na construção civil ganharam força nos últimos anos. Falamos de emissões, de eficiência energética, de certificações e metas de carbono. Ao mesmo tempo, existe uma dimensão igualmente relevante que começa a ganhar força e que precisa entrar de vez na pauta técnica do setor: o impacto dos espaços sobre as pessoas. Não basta que um edifício seja eficiente do ponto de vista ambiental. Ele também precisa ser saudável, acolhedor e capaz de promover bem-estar.

É nesse ponto que a biofilia se conecta de forma direta com a arquitetura contemporânea. O conceito, difundido pelo biólogo Edward O. Wilson, parte da premissa de que temos uma inclinação natural a buscar conexões com a natureza. Em termos práticos, isso significa que ambientes que incorporam luz natural, ventilação, vegetação e materiais orgânicos tendem a gerar respostas fisiológicas e emocionais mais positivas. Redução de estresse, melhora na concentração e aumento da sensação de conforto não são percepções abstratas, mas efeitos cada vez mais documentados.

Se passamos a maior parte do nosso tempo dentro de edifícios, o desenho desses espaços deixa de ser apenas uma decisão estética ou funcional. Portanto, passa a ser uma escolha estratégica, com implicações diretas sobre saúde, produtividade e qualidade de vida.

Nesse contexto, a madeira ocupa uma posição singular, deixando de ser apenas um material estrutural. É um elemento capaz de estabelecer uma conexão sensorial imediata com o ambiente natural. Suas variações de cor e textura introduzem complexidade e calor em espaços que, de outra forma, poderiam ser excessivamente neutros ou artificiais. A presença da madeira aparente altera a percepção do ambiente e contribui para torná-lo mais humano.

madeira é um elemento-chave para a biofilia, como aponta a própria trajetória do arquiteto Kengo Kuma. Em projetos como o edifício “Welcome, feel at work”, em Milão, assinado pelo escritório Kengo Kuma & Associates, fica evidente como o uso estrutural da madeira pode redefinir a experiência corporativa, aproximando o espaço de trabalho de uma atmosfera mais orgânica e integrada ao entorno.

A evolução da madeira engenheirada amplia de forma decisiva esse cenário. Sistemas como CLT e glulam permitem construir em maior escala, com precisão industrial e desempenho estrutural compatível com edifícios de múltiplos pavimentos. Ao mesmo tempo, mantêm a materialidade exposta, preservando a dimensão sensorial que fortalece a proposta biofílica. Essa combinação é estratégica: une desempenho técnico, eficiência construtiva e impacto positivo sobre a experiência do usuário.

Além dos benefícios ambientais já amplamente reconhecidos, como a capacidade de armazenar carbono e reduzir emissões incorporadas, a madeira engenheirada contribui para uma construção mais racional. Processos industrializados, menor geração de resíduos e maior previsibilidade de obra favorecem não apenas a sustentabilidade ambiental, mas a qualidade do resultado.

A biofilia não deve ser entendida como tendência ou recurso decorativo. Trata-se de uma resposta concreta à necessidade de reequilibrar a relação entre cidade e natureza. Quando a estrutura do edifício é também um elemento de conexão com o mundo natural, o impacto deixa de ser superficial. Passa a ser estrutural, no sentido mais completo da palavra.

Se a construção civil tem papel decisivo na agenda climática, também tem responsabilidade sobre a forma como as pessoas vivem e trabalham. Integrar madeira e biofilia à arquitetura contemporânea é alinhar desempenho ambiental, inovação tecnológica e cuidado com quem ocupa esses ambientes. Em um setor historicamente associado a alto impacto, essa convergência representa uma oportunidade real de transformação.

*Ana Belizário é diretora da Urbem, indústria brasileira de madeira engenheirada de larga escala, que atua no setor da construção civil, focada em oferecer produtos e serviços inovadores e sustentáveis.

Texto:  *Por Ana Belizário

Imagem: divulgação

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