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O maximalismo como linguagem do morar contemporâneo


Projeto Camila Palladino | Crédito: Rogerio Cajui

Em um tempo em que a casa voltou a ser protagonista da vida cotidiana, a decoração maximalista surge como um manifesto sensorial. Longe de regras rígidas, o estilo valoriza a mistura consciente de cores, texturas, estampas e referências afetivas, criando ambientes que contam histórias e refletem personalidades plurais. Inspirado pela liberdade criativa e pelo olhar apurado, o maximalismo se firma como uma linguagem contemporânea do morar, intensa, elegante e profundamente humana.

Mais do que acumular objetos, o maximalismo propõe curadoria. Cada peça tem intenção: obras de arte dialogam com mobiliário de diferentes épocas; tecidos exuberantes convivem com materiais nobres; padrões se sobrepõem sem medo, desde que sustentados por uma narrativa coesa. O resultado são espaços vibrantes, cheios de ritmo visual, onde o olhar percorre detalhes e descobre camadas a cada nova visita.

Projeto Camila Palladino | Crédito: David Aranha

Para a arquiteta Camila Palladino, o maximalismo é um exercício de escuta e tradução. “O maximalismo não é sobre excesso aleatório, mas sobre a coragem de assumir referências, memórias e desejos, organizando tudo isso em uma composição harmônica”, afirma. Em seus projetos, a arquiteta aposta na força das combinações inusitadas e na valorização do repertório pessoal do morador como ponto de partida para criar interiores autênticos.


Projeto Camila Palladino | Crédito: David Aranha

Cores intensas ganham protagonismo, verdes profundos, azuis densos e tons terrosos, equilibradas por uma base bem estruturada. As paredes podem receber papéis de parede gráficos ou pinturas artísticas; o piso, tapetes com padronagens marcantes; e o mobiliário, peças icônicas ao lado de achados contemporâneos. A iluminação, pensada em camadas, contribui para destacar texturas e criar atmosferas acolhedoras.

Projeto Camila Palladino | Crédito: Rogerio Cajui

Há também um diálogo direto com o artesanal e o feito à mão, reforçando o valor do singular. Cerâmicas, esculturas, livros e objetos garimpados em viagens ou herdados de família tornam-se protagonistas, conferindo profundidade emocional aos ambientes. “Quando a casa passa a refletir a trajetória de quem vive ali, o espaço deixa de ser apenas bonito e se torna verdadeiro”, completa Camila.


Projeto Camila Palladino | Crédito: Rogerio Cajui

Assim, a decoração maximalista se distancia do efêmero e se aproxima do atemporal, não por seguir tendências, mas por construir identidades visuais únicas. É um convite ao olhar atento, à mistura sem medo e à celebração da estética como experiência cotidiana, um luxo contemporâneo que reside na liberdade de ser, ver e sentir dentro de casa.

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