O que um ateliê revela sobre uma artista? Em “Um tempo todo para ser nosso”, livro que será lançado no dia 1º de abril, no Museu Paranaense (MUPA), os espaços de trabalho de 10 artistas serão apresentados como paisagens de criação. Lugares onde gestos, técnicas, reflexões e desejos se manifestam em constante transformação, formando uma cartografia íntima do fazer artístico.
A obra parte de uma provocação histórica. Em 1928, Virginia Woolf afirmou que uma mulher precisava de dinheiro e um teto todo seu para escrever ficção. Décadas depois, no Brasil, os diários de Carolina Maria de Jesus expuseram o contraste entre o direito de criar e a dureza da sobrevivência. Ao aproximar essas referências, o livro propõe uma reflexão sobre o que sustenta a autoria feminina e sobre as condições materiais e simbólicas que atravessam o trabalho criativo.
Participam da publicação Carina Weidle, Claudia Lara, Eliana Brasil, Eliane Prolik, Erica Storer, Guita Soifer, Lígia Borba, Maya Weishof, Milla Jung e Vilma Slomp, artistas cujas trajetórias contribuem para a compreensão de diferentes capítulos da produção artística no Paraná.
Um tempo todo para ser nosso – 10 mulheres artistas em seus espaços de trabalho foi escrito e curado pela pesquisadora e professora de artes visuais Galciani Neves, escritora reconhecida pelo Prêmio Jabuti e coordenadora de um programa de ensino no Instituto Tomie Ohtake, com texto de Simone Landal e narrativas visuais da fotógrafa Carla Bordin. A publicação conta ainda com coordenação editorial da galerista Malu Meyer, que estabelece conexões entre as artistas e agentes do circuito de arte paranaense.
“O livro nasce do interesse em compreender como os espaços de trabalho participam do pensamento artístico. Os ateliês revelam processos, decisões, experimentações e também o tempo da criação. Ao abrir esses ambientes, as artistas compartilham não apenas suas obras, mas as condições que tornam o fazer artístico possível”, afirma Galciani Neves.
Os espaços de criação no centro do livro
Ao longo da publicação, o ateliê aparece como um território em que arte e vida coexistem. São espaços de concentração e processo, marcados por subjetividades, linguagens e matérias-primas. A proposta não é apenas mostrar obras prontas, mas evidenciar como o tempo se organiza dentro do trabalho artístico e como cada ambiente influencia aquilo que se produz.
Responsável pelos registros fotográficos que conduzem a narrativa visual da publicação, Carla Bordin, arquiteta e urbanista, fotógrafa e colecionadora de arte, percorreu os espaços de trabalho das artistas buscando capturar a atmosfera de cada ambiente e os sinais do processo criativo.
“Mais do que registrar obras, o objetivo foi observar o que acontece no entorno delas. O ateliê guarda as pausas e as decisões que antecedem o resultado final. Fotografar esses espaços foi uma forma de revelar camadas do trabalho artístico que normalmente permanecem invisíveis”, afirma Carla.
Artistas conectadas à cena paranaense
As dez artistas reunidas no livro têm trajetórias conectadas ao Paraná e aos diferentes agentes e espaços que compõem o sistema de artes visuais no Estado, atuando em frentes que envolvem produção artística, circulação de obras, formação e reflexão crítica. Suas práticas dialogam com instituições culturais, espaços expositivos, universidades e iniciativas independentes que ajudam a construir e sustentar a cena das artes visuais na região.
Ao reunir artistas com trajetórias e linguagens distintas, o livro apresenta um panorama heterogêneo da produção contemporânea. Diante dessa diversidade, a estrutura da publicação foi organizada a partir de um eixo cronológico, permitindo observar aproximações, transformações e continuidades entre práticas artísticas que atravessam diferentes gerações.
Circuitos de Artes Visuais em Curitiba
O livro traz ainda um texto da pesquisadora e professora Simone Landal, intitulado Circuitos de Artes Visuais em Curitiba, que apresenta um mapeamento do campo artístico local a partir da cidade como contexto de produção. O ensaio observa a formação e a dinâmica desses circuitos considerando a atuação de diferentes agentes – artistas, críticos, curadores, gestores, professores e instituições – que, ao longo do tempo, contribuíram para consolidar a cena das artes visuais na capital paranaense.
No recorte proposto pela autora, as mulheres aparecem como protagonistas, com presença crescente e destaque especialmente nas últimas décadas. O texto dialoga diretamente com o conjunto de artistas reunidas na publicação e ajuda a compreender as relações entre produção artística, formação de redes e circulação de ideias.
A publicação foi realizada pelo Ministério da Cultura, com patrocínio do Banco Bari e do Grupo Barigui, e conta com edição trilíngue – em português, espanhol e inglês – ampliando o alcance internacional do projeto.
Serviço:
Lançamento do livro “Um tempo todo para ser nosso”
Local: Museu Paranaense (MUPA) – Rua Kellers, 289, São Francisco, Curitiba-PR
Data: 1º de abril de 2026 (quarta-feira)
Horário: a partir das 17h até às 19h
Texto: Thabata Martin
foto: Carla Bordin
Imagem: divulgação
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