Material que marcou a arquitetura modernista brasileira ganha novas interpretações em projetos contemporâneos, com tecnologias de pigmentação, soluções estruturais e integração à natureza. Em Balneário Camboriú (SC), cidade conhecida pelos arranha-céus, o Auris Residenze, projeto do escritório italiano Archea Associati para o Fischer Group, utiliza concreto aparente pigmentado em uma fachada inspirada na estrutura de uma árvore. Arquiteto brasileiro Jeferson Branco, que conheceu o protótipo da construção, avalia o resgate da técnica e seus desafios.
Consagrado em obras de grandes nomes da arquitetura modernista brasileira, como Oscar Niemeyer, o concreto aparente volta a ganhar protagonismo em projetos contemporâneos, agora associado a novas tecnologias, pigmentações e soluções construtivas. O material, que dispensa revestimentos para revelar a própria estrutura das edificações, encontra novas aplicações em fachadas de edifícios residenciais e projetos arquitetônicos autorais. Em Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, conhecida pela concentração de arranha-céus, um empreendimento de mais de 130 metros de altura aposta no concreto aparente pigmentado em tom terracota para criar uma fachada que remete à estrutura de uma árvore.
A retomada desse recurso arquitetônico também representa uma aproximação entre o legado da arquitetura brasileira e as possibilidades oferecidas pela engenharia contemporânea. Embora o concreto aparente tenha marcado diferentes períodos da arquitetura moderna, sua aplicação em edifícios de grande altura, com geometrias incomuns, exige estudos específicos de execução, impermeabilização, pigmentação e acabamento. Para o arquiteto brasileiro Jeferson Branco, que recentemente conheceu o protótipo do Auris Residenze, empreendimento do Fischer Group projetado pelo escritório italiano Archea Associati, a combinação entre tradição e tecnologia evidencia um movimento de valorização da identidade arquitetônica brasileira.
“Para a gente projetar o futuro, eu tenho gostado muito de olhar para o passado e aprender com os grandes mestres. A arquitetura brasileira sempre teve esse reconhecimento muito grande. Um grande mestre que sempre usou concreto aparente era Niemeyer. Então, a gente tem muito a aprender com esses grandes nomes. Vejo um resgate muito legal que o Auris consegue trazer de técnicas que já eram utilizadas no momento mais áureo da arquitetura brasileira. E vamos ver isso acontecendo novamente em um tempo contemporâneo”, afirma Branco.
Para Cláudio Fischer, CEO do Fischer Group, o uso do concreto aparente pigmentado está diretamente relacionado à proposta de unir arquitetura autoral, desempenho construtivo e integração com a natureza. “Desde a concepção do Auris, nosso objetivo foi desenvolver um empreendimento que tivesse uma identidade própria e que trouxesse para Balneário Camboriú uma arquitetura diferente da que tradicionalmente vemos na cidade. A escolha do concreto aparente pigmentado, além de estética, faz parte da própria estrutura do edifício e da proposta de criar uma fachada inspirada em uma árvore. Por isso, investimos em estudos, consultorias especializadas e testes para garantir que essa concepção arquitetônica possa ser executada com qualidade e precisão”, destaca.
Projetado pelo arquiteto italiano Marco Casamonti, do escritório Archea Associati, o ‘edifício-árvore’ Auris Residenze terá 26 apartamentos, um por andar, e cerca de 11,5 mil metros quadrados de área construída. A fachada terá uma estrutura externa de concreto aparente pigmentado, com brises que remetem aos galhos de uma árvore e jardineiras integradas aos pavimentos. Além da identidade visual, esses elementos foram projetados para melhorar o desempenho térmico em 16% e reduzir em até 42% o consumo de ar-condicionado nas unidades residenciais, conforme simulações técnicas do empreendimento. O projeto também prevê redução de 26% no consumo de energia e de até 52% no uso de água, por meio de soluções de eficiência energética, reaproveitamento de águas cinzas e pluviais e sistemas de tratamento. A proposta combina a experiência internacional do escritório italiano com materiais, características climáticas e referências da arquitetura brasileira.
“Fico muito feliz de ver uma produção italiana em território brasileiro com essa materialidade, com essas características que são muito brasileiras, inerentes à nossa cultura. Não é querer o ‘estrangeirismo’ e o estilo italiano aqui, mas trazer toda essa qualidade italiana do saber fazer, dos acabamentos, para uma realidade e uma materialidade brasileiras. Acho que o projeto como um todo é um grande diferencial, algo que ainda não vimos aqui na região. O Auris vai ser um marco para a nossa arquitetura”, conclui Branco.
Texto: Matheus Petter // Rotas Comunicação
Créditos: Divulgação/Fischer Group
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